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BENÊ: DE JOGADOR DE FUTEBOL A ENFERMEIRO QUE DEU CERTO página principal

          Benedito da Silva nasceu em Pirituba, São Paulo, no dia 12 de junho de 1957. "Dia dos Namorados", diz Benê, como é chamado. Aos nove anos mudou-se para Bauru com a mãe Maria Aparecida da Silva e a avó. Na infância, brincava de bolas de gude, pipa e pião.
"A gente fazia campeonato de pião, soltava pipa, fazia buraco no quintal para brincar com bolinha de gude", recorda Benê. Sua infância foi maravilhosa com os brinquedos improvisados que alimentavam o imaginário e ajudavam no processo criativo. Hoje não se vê muito as crianças brincando dessas coisas que acabaram substituídas pelas engenhocas fabricadas na China e os vídeo-games.
          Com um sorriso, Benê recorda dos amigos de infância, o Tuca e o Daniel. "O Tuca mora em outra cidade, o Daniel mora aqui em Bauru, temos contato até hoje", diz com um pouco de saudade e emoção.
          Entre as muitas imagens da infância Benê guarda com carinho as da professora do Sesi quando ele fazia o que hoje chamamos de ensino fundamental. "A professora Maria Antônia de Matos Massa me chamava a atenção com sutileza", relembra. Dava tratamento igual a todos os alunos. "Na época o Sesi absorvia alunos de baixa renda e a professora me chamava a atenção igualzinho chamava dos outros", diz.
          Outra lembrança, uma das mais marcantes de sua vida, foi quando voltava da escola e na rua encontrou uma bola muito bonita. "Fiquei encantado com aquela bola", recorda. Chegando em casa com a bola, seu pai mandou que devolvesse a bola onde a encontrou. Depois de algum tempo o pai de Benê comprou uma bola e disse - Com essa bola você pode ficar porque ela é sua. "Isso me marcou muito, meu pai não podia comprar, era humilde. Fico pensando no sacrifício que ele dever fez com seu dinheiro curto para me livrar daquela decepção de ter que devolver o achado na rua ". Mas seu pai Adauto da Silva ensinou que a vida honrada é o nosso maior patrimônio, ter honestidade é muito importante na vida das pessoas. "Esta a grande lição que meus pais me deixaram".

A rima que deu certo

          Benê jogava futebol amador para o São Francisco antes do Independente "comprar" o seu passe. Chegou a treinar no Noroeste, mas não ficou. Foi nessa época que entrou no Hospital de Base, ainda quando administrado pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia. "Fiz um teste de aptidão, fiquei uns 15, 20 dias trabalhando e as irmãs disseram que eu levava jeito", explica.
          Há 25 anos trabalhando no HB, Benê historia que começou como atendente de enfermagem, depois percebeu que gostava da área de saúde e sentiu necessidade de se aprimorar profissionalmente. Voltou a estudar, terminou o colegial que havia deixado para atrás, fez o curso de Auxiliar de Enfermagem e em 1983 entrou na Universidade do Sagrado Coração. "Foi uma coisa muito gratificante que me aconteceu, terminar o segundo grau e fazer um curso universitário".
          Para ele, não foi fácil trabalhar e estudar. "Eu ia sem tomar banho e sem jantar, mas se tivesse que fazer tudo de novo, faria", afirma.
          A recompensa para tanto esforço veio quando Benê foi ao Departamento do Pessoal da HB para poder ser empossado no cargo de Enfermeiro e o chefe reconheceu: "parabéns, isso é que é força de vontade, hein!".
          O hospital trouxe a Benê muitas alegrias. Graças ao emprego pôde dar à sua mãe a TV em cores que ela tanto queria e um relógio no Dia das Mães. E também foi no Hospital de Base que Benê conheceu a Jakeline, sua esposa. Hoje o casal tem dois filhos, o Bruno de 12 anos e o João Vitor de quatro meses.
          Não é à toa que HB rima com Benê - essa união só podia dar certo!

Candidato e Prêmio

          "Gente que ajuda gente" - acreditando nisso, Benê também foi candidato a vereador.
          Para Benê, sua participação na política também foi um exercício de cidadania, além de ser uma conquista pessoal. Teve uma excelente votação embora sem gastar nada na campanha. Prova de que seus colegas, aqueles que com ele convivem, reconhecem seus méritos e a solidariedade que nele nunca faltou, compareceram em peso às urnas para sufragá-lo.
          E de conquista pessoal ele entende bem. No ano de 1999 Benê recebeu o título de "Profissional do Ano" - na área da saúde. Essa foi uma forma que o Rotary Club de Bauru encontrou para homenagear seu alto padrão profissional e de ética no ambiente do trabalho.

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